Fazenda catarinense suspende a concessão de regimes especiais para importação de mercadorias destinadas à comercialização - 10/01/2011
A polêmica envolvendo o programa de incentivos fiscais para a importação de
alguns produtos por SC, conhecido como Pró-Emprego, teve uma resposta rápida do
novo governo. O secretário da Fazenda, Ubiratan Rezende, propôs a suspensão do
programa por 120 dias.
Com a decisão, nenhuma empresa poderá optar pelo regime especial tributário
até abril. E as 781 que entraram no Pró-Emprego desde que ele foi criado, em
2007, terão os seus contratos reavaliados.
Segundo comunicado da Secretaria de Fazenda, a decisão de suspender o
Pró-Emprego por quatro meses foi uma resposta para as ações diretas de
inconstitucionalidade (Adins) movidas contra o programa em 2010. Até novembro,
três Adins questionavam os incentivos no Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com a assessoria da Fazenda, a empresa que recebe o benefício
fiscal não precisa renová-lo. O Pró-Emprego tem um prazo indeterminado enquanto
a legislação estadual for válida. A proposta de Rezende, assinada ontem pelo
governador Raimundo Colombo, depende, agora, de publicação no Diário Oficial.
Incentivos afetaram balança comercial
O primeiro vice-presidente da Federação das Indústrias (Fiesc), Glauco
Côrte, comemorou a decisão. Para a Fiesc, a importação de equipamentos e
matérias-primas para indústrias estabelecidas no Estado devem continuar, mas os
benefícios para a importação de produtos que serão revendidos em outros estados
deveriam ser suspensos.
- Foi um bom sinal o fato do novo governo agir neste sentido logo no
primeiro dia útil. Não faz sentido o Estado dar incentivos fiscais para produtos
que serão destinados para outros estados - opina Côrte.
Um dos resultados do Pró-Emprego foi a alteração da balança comercial. Em
2006, SC exportou US$ 5,9 bilhões e importou US$ 3,4 bilhões - saldo positivo de
US$ 2,5 bilhões. Em 2010, até novembro, a balança comercial catarinense
registrou um saldo negativo de US$ 3,95 bilhões, com US$ 6,88 bilhões em
exportações e US$ 10,84 bilhões em importações.
Indústria náutica aguarda mudanças
O governo de Santa Catarina não está sozinho na polêmica envolvendo
programas de incentivo à importação, mas tem a proposta mais agressiva em
vigência, segundo a secretaria de Comércio Exterior.
Outros estados também têm legislações sobre o ICMS questionadas pela
Confederação Nacional das Indústrias. Em Santa Catarina, o tema colocou em pé de
guerra o setor da indústria náutica.
Os benefícios concedidos pelo governo estadual ao projeto da Azimut-Benetti,
grupo italiano líder mundial na fabricação de lanchas de luxo e megaiates,
desagradam à indústria local do setor. A empresa, considerada a Ferrari dos
iates, quer construir um polo náutico em Itajaí.
O empresário Márcio Schaefer, dono do estaleiro Schaefer Yachts, que tem
fábricas em Palhoça e Biguaçu, considerou a decisão do governo estadual de
reavaliar o Pró-Emprego como "muito sábia". Para ele, a indústria local
enraizada e geradora de empregos deve ser incentivada, e não a empresa
estrangeira que traz produtos mais baratos do que aqueles produzidos no Estado.
- No início, o programa pode ter surgido para beneficiar setores que não
estavam instalados no Estado. Neste sentido, tudo bem. Concordo com a importação
do que não é produzido aqui - afirma Schaefer.
Mas o empresário catarinense questionou, por exemplo, os benefícios dados ao
grupo Azimut-Benetti.
Em nota divulgada pela assessoria de imprensa, o presidente da Azimut do
Brasil, Luca Morando, afirmou que a suspensão dos benefícios do Pró-Emprego,
proposta ontem, não vai alterar os "acordos previamente estipulados" e que
entende a necessidade de avaliação do programa por parte do governo estadual.
"Temos plena convicção de que a nova administração do Estado tomará as
decisões mais coerentes visando ao benefício dos catarinenses", enfatiza
Morando, na nota.
Desde 2007, do total de empresas beneficiadas pelo Pró-Emprego em Santa
Catarina, 380 são do setor de comércio, 329 indústrias, 56 empresas geradoras de
energia elétrica, sete terminais portuários, quatro centros de distribuição de
produtos, três centros comerciais e shoppings e dois hospitais. Todas estão
tendo seus contratos revistos.
Fonte: www.sef.sc.gov.br