PRÓ-EMPREGO DIVIDE GOVERNOS - 18/10/2010
PROGRAMA QUE GERA EMPREGOS E INVESTIMENTOS EM SC
ESTÁ NA MIRA DO EXECUTIVO NACIONAL PORQUE CONTRIBUI PARA A IMPORTAÇÃO
Enquanto os candidatos à Presidência Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB)
discutem sobre aborto e religião para conquistar ou perder votos, em SC o debate
entre o governo federal petista e o governo estadual tucano é o Pró-Emprego.
O programa estadual de incentivo às importações via portos catarinenses já
angariou R$ 12,78 bilhões em investimentos e gerau 62,8 mil empregos, mas também
colabora, e muito, para a inversão da balança comercial de SC. Tradicionalmente
exportador, o Estado está com déficit de R$ 2,8 bilhões de janeiro a setembro de
2010.
O secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Welber Barral, considera o Pró-Emprego o
mais agressivo dos programas de incentivo do país.
Para a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), está na hora de
fazer alguns ajustes no Pró-Emprego. Porém, segundo o vice-presidente da
federação, Glauco José Côrte, a Fiesc não é contra o governo do Estado
incentivar investimentos.
Talvez seja a hora de fazer uma revisão. Parte expressiva do Pró-Emprego é
usada por tradings que não investem no Estado. Hoje o programa está generalizado
explica.
Côrte diz que a indústria já está sem competitividade em função do câmbio.
Conforme ele, parte dela está dolarizando seus custos, fazendo um mix do
portfólio com importados.
Por isso, fizemos uma reunião com a Secretaria da Fazenda. Nossa expectativa
é de que, passada a eleição, possamos fazer uma reforma no programa acrescenta
Côrte.
O secretário da Fazenda, Cléverson Siewert, reconhece a necessidade dos
ajustes e alerta que vários já foram feitos. O governo proibiu as importações de
vidros, espelhos, material náutico, zíperes, cristal e porcelana.
Mas não podemos abrir mão de um programa que gera emprego, garante
investimentos e que aumentou nossa arrecadação, especificamente em importações,
de R$ 217 milhões em 2006, antes do Pró-Emprego, para R$ 410 milhões em 2010
explica.
Siewert diz que SC é um dos maiores importadores de cátodo de cobre e que,
desde o programa, 10 laminadoras de cobre se instalaram aqui.
Este é só um exemplo. Fora isso, temos uma gama enorme de serviços e
empresas de logística criadas ou que expandiram, gerando emprego e receita. Nós
vamos manter o programa garante.
O secretário da Fazenda rebate as declarações de Barral, de que programa
catarinense é o mais agressivo. Segundo Siewert, a alíquota diferenciada de ICMS
em SC é de 3,5% (para uma média de 17% sem incentivos), enquanto em outros
estados é de 3%.
O que ocorre é que nós temos uma lei e outros estados utilizam mecanismos
menos transparentes. O Pró-Emprego é o mais visível e por isso o mais visado dos
programas.
Fonte: Secretaria da Fazenda de Santa Catarina, em 13.10.2010.